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sexta-feira, dezembro 31, 2010

Ministros da Dilma- Fernando Bezerra


  FernandoBezerra; Ministro da Integração Nacional

A Folha de São Paulo de hoje vem com uma pancada duríssima em Fernando Bezerra Coelho, provável Ministro de Dilma. A Folha saiu atrás de um suposto esquema de pagamento de mesada a líderes de associações de bairro e um vereador, através de um empresário que resolveu abrir o bico, depois que Fernando Bezerra teria deixado o rombo para ele.
O esquema já é velho conhecido de todos, já que pagar mesada a parlamentares e lideranças de aluguel parece ter se tornado prática conhecida pelas bandas de Pindorama.
O pior mesmo é a explicação de Fernando Bezerra, ao ser indagado sobre o motivo do empresário ter pedido ajuda, já que ele diz que apenas estava ajudando um ex-vereador que tinha quebrado e queria serviços da Prefeitura: “Ele foi líder comunitário, foi candidato a vereador, faz parte da atividade política de Petrolina”.
A matéria da Folha segue abaixo.
Ministeriável de Dilma é acusado de pagar por apoio 
Empresário de Petrolina diz que Bezerra Coelho orientou pagamento mensal
Indicação de secretário pernambucano para a Integração Nacional foi feita pelo governador Eduardo Campos (PSB)
Indicado pelo PSB para o ministério de Dilma Rousseff, Fernando Bezerra Coelho é acusado de ter orientado o pagamento de mesada a líderes de associações de bairros e o repasse de dinheiro a um vereador de Petrolina (PE) quando era prefeito.
Bezerra Coelho é o mais cotado para ocupar a pasta da Integração Nacional, na cota do governador Eduardo Campos, de quem é secretário de Desenvolvimento. Foi prefeito de Petrolina por três mandatos, o último até 2006.
A acusação de pagamento de mesada é feita pelo empresário Paulo Lima, 39, um ex-aliado da família Coelho.
Ele contou à Folha que os pagamentos eram feitos por meio de sua empresa, Líder Construções, que reformou creches municipais nas gestões de Coelho.
Lima disse que cerca de R$ 50 mil saíram de sua empresa e de sua conta pessoal para pessoas previamente listadas pelo prefeito e por um secretário, sob a promessa de que os recursos e os impostos gerados pelas operações da Líder seriam cobertos pela prefeitura. O objetivo era a cooptação de apoio.
O buraco não foi coberto, e Lima acabou condenado pela Justiça Federal por dívidas de R$ 98 mil com o INSS. A pena foi convertida em prestação de serviços num lar de idosos, além de pagamento mensal de R$ 150.
Dois líderes de associações de moradores confirmaram à Folhaque passaram a receber recursos mensais do empreiteiro após terem recebido orientação de Coelho.
O empreiteiro controlava os pagamentos por meio de recibos datados e assinados pelos líderes comunitários.
Um deles, José Caldas de Santana, afirmou ter recebido ao todo R$ 2.800 entre maio e dezembro de 2006.
No recibo, Lima fez constar: “Autorizado por Fernando Bezerra Coelho”.
“Eu fazia um trabalho para a comunidade. Como não tinha esse salário, porque a gente não tinha salário, era uma ajuda que ele [Lima] me dava”, disse Santana.
Outro líder comunitário, Audeni Damasceno Maia, que atuava numa região pobre de Petrolina com cerca de 7.000 moradores, também reconheceu que os repasses eram feitos por Lima a pedido do prefeito. Recibos em seu nome demonstram pagamentos mensais em 2004.
“Eles fizeram um acordo no primeiro mandato, um acordo de um repasse. E Paulo repassava, mas acho que Paulo não teve um retorno. O acordo era com o Fernando.”
Paulo Lima guardou também um bilhete com um recado escrito a mão e, ao lado, uma assinatura do prefeito Bezerra Coelho.
A caneta, alguém escreveu: “Paulo Lima, favor antender [sic] ao nosso amigo Ruy Wanderley em 12.000″.
Lima disse que entregou em 2006 R$ 12 mil ao então vereador Ruy Wanderley, hoje filiado ao PSL, que tentou, sem sucesso, se eleger deputado estadual. Ele nega.
Em agosto, o empreiteiro prestou depoimento à Procuradoria da República de Petrolina nos mesmos termos que relatou à Folha. Ele disse ter feito o mesmo sistema de pagamento para outro prefeito, da vizinha Lagoa Grande.
COELHOLÂNDIA
A família de Fernando Bezerra Coelho dominou a política local por 50 anos seguidos, imprimindo seu nome em todo tipo de obra pública. Nesse período, a cidade foi administrada ou por um Coelho ou por um aliado.
Coelho, neto de um dos mais conhecidos coronéis do semiárido, Clementino Coelho, o “Coronel Quelé”, começou na política no PDS (atual PP) e passou ainda por PMDB e PPS, além do PSB.
Empresário diz ter negociado dívida em troca de mesada
O empresário Paulo Lima, 39, disse ter negociado com Fernando Bezerra Coelho parcelamento das dívidas de sua empresa para pagar mesada a cabos eleitorais. O ex-prefeito teria sugerido parcelamento em 60 vezes e lhe dado R$ 5.000. Leia trechos da entrevista.
Folha – Sua empresa foi usada pela prefeitura?
Paulo Lima -
 Me pediram para abrir uma empresa e eu abri. Quando foi um tempo, eu disse: “Os impostos dessa empresa estão sendo pagos?” Eles disseram: “estão”. Aí passou, terminou o governo [...]. Aí, quando descobri, tinham usado os impostos e não tinham pago R$ 89 mil de impostos.
Quando o sr. conversava com Fernando, o que dizia?Ele que me dizia o seguinte: “Fulano vai lhe procurar e você vai passar xis”. Aí, nas primeiras vezes, como eram quantias irrisórias, eu liberei. Quando começou a vir coisa grande, eu disse: “Olha, eu preciso de autorização”. Aí teve uma vez foi R$ 12 mil. Ele mandou um bilhete: “Favor atender o nosso amigo [vereador] Ruy Wanderley em R$ 12 mil”.
Qual foi a última vez que você falou com Fernando?Há 120 dias. [Relata como Fernando teria pedido para parcelar em 60 vezes a dívida, mas que só recebeu R$ 5.000]. Ele disse: “Não, Paulo, a gente vai resolver”. Quando eu liguei na segunda vez, ele já não me atendeu mais. Eu fui ao escritório do advogado dele e devolvi os R$ 5 mil.
O sr. trabalhou na campanha de Fernando?Trabalhei nas duas campanhas. Na de prefeito e na do filho dele, de deputado. [...] Eu queria chegar à presidente Dilma e dizer: “Como é que você vai nomear uma pessoa mau-caráter, nessa situação, para um ministério tão importante que é a Integração Nacional?”.
Coelho nega ter orientado pagamentos
Cotado para equipe de Dilma admitiu, porém, que ofereceu “ajuda” a Lima após saber de problemas da empresa
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho (PSB), negou ter pedido ao empresário Paulo Lima que fizesse pagamentos para líderes de associações de bairros ou vereadores.
“A empresa dele respondeu a um processo na Justiça por falta de pagamento de tributos, o processo transcorreu e ele teve todo o tempo para poder alegar, colocar as provas, daquilo que agora ele está alegando.”
Coelho disse que Lima foi “candidato a vereador, tentou várias vezes”, e que teria mostrado os documentos para “adversários políticos” durante as eleições passadas. O empresário nega. Coelho reconheceu ter se encontrado com Lima, em 2010, e oferecido “ajuda”.
Segundo ele, o ex-aliado lhe procurou e falou de supostas dificuldades que sua empresa enfrentava.
Indagado sobre o motivo pelo qual Lima iria procurar o prefeito, Coelho afirmou que o empresário prestou serviços à Secretaria de Obras em sua última gestão.
E acrescentou: “Ele foi líder comunitário, foi candidato a vereador, faz parte da atividade política de Petrolina”.
Coelho afirmou que, durante uma visita no Porto Fluvial de Petrolina, Lima falou sobre as dificuldades.
“Eu disse: “O que eu puder fazer pra lhe ajudar, para que você possa ter mais serviço, nós vamos lhe ajudar”.”
SEM PAGAMENTO
O ex-prefeito contou que “teve acesso em sua casa” ao depoimento que Lima prestou à Procuradoria. Até agora, segundo ele, o Ministério Público Federal não lhe pediu explicações.
Quando foi informado de que dois líderes comunitários confirmaram o pagamento, Coelho negou: “Não existe isso. Em nenhum momento eu pedi a Lima para fazer pagamento de espécie.”
O ex-vereador de Petrolina Ruy Wanderley de Sá negou ter recebido dinheiro de Lima a pedido de Coelho.