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quarta-feira, junho 03, 2009

"Quem procura ossos é cachorro"-- Pedro Venceslau

O Estado de S. Paulo - 28/05/2009 

Cartaz contra desaparecidos irrita deputados 

Com slogan "quem procura osso é cachorro", Bolsonaro deixa colegas indignados 

Pedro Venceslau 

Um cartaz pendurado na porta do gabinete do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) está causando polêmica na Câmara. Deputados do PC do B ficaram indignados diante da imagem de um cachorro mordendo um osso sob a mensagem "Desaparecidos do Araguaia, quem procura osso é cachorro." Trata-se de um "recado" aos setores da esquerda que defendem a abertura dos arquivos da ditadura, além da recuperação dos restos mortais de militantes que participaram da guerrilha rural liderada pelo PC do B nos anos 70. 

Único parlamentar a defender abertamente a ditadura militar, Bolsonaro afirma que está fazendo um protesto contra as indenizações "bilionárias" concedidas aos ex-presos políticos. "A mentira deles não é a verdade da história. O povo tem de dar graças a deus aos militares. Tenho o direito de me expressar", diz o parlamentar. 

O cartaz da discórdia foi feito em 2005 para provocar o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, que havia feito um discurso na Casa. "Ele disse: ?vamos atrás dos ossos...? Na ocasião não houve repercussão", diz Bolsonaro. A deputada Jô Moraes (PC do B-MG) fotografou o cartaz com seu celular e enviou a imagem para o líder do partido, Daniel Almeida. "Eu não sabia da existência disso. Fiz um pronunciamento na tribuna. Vamos entrar com um processo no Conselho de Ética por falta de decoro. Isso extrapola os limites mais elementares da convivência política e humana. Alguns deputados preferem não polemizar, pois dizem que ele quer só aparecer na mídia. Mas seria uma omissão tratar o caso apenas como desequilíbrio mental. Até os desequilibrados mentais têm limite." 

"Não concordo com o que ele diz, mas Bolsonaro tem todo o direito de se expressar. Sou contra qualquer tipo de punição", rebate Ciro Nogueira (PP-PI). O movimento Tortura Nunca Mais enviou cartas ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e ao presidente da Comissão de Direitos Humanos, Luiz Couto (PT-PB), pedindo providências. "Isso é uma ofensa à humanidade. Os partidos de esquerda da Câmara não podem conviver com isso, apenas achar graça", protesta Rose Nogueira, diretora do movimento.