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segunda-feira, agosto 24, 2009

Carta aberta ao Senador Renan Calheiros


TEXTO DE TEREZA COLLOR.

Publicado por Mendonça Neto, Jornal Extra - Rio de Janeiro .



Carta aberta ao Senador Renan Calheiros



"Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz". As vacas de Renan dão cria
24 h por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas!

Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você
sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas.

Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado
estadual em 1978 - que acreditava na pureza necessária de uma política
de oposição dentro da ditadura militar - você, Renan Calheiros,
construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que
se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.

Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a
vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do
desatino, que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse
qual fosse o preço, Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo,
a degladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em
desigualdade de forças e de dinheiros.

Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um
atalho, um mil artifícios para vencê-los, e, quem sabe, um dia
derrotaria todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham
empregados cujo serviço exclusivo era abanar, durante horas, um leque
imenso sobre a mesa dos usineiros, para que os mosquitos de Murici (em
Murici, até os mosquitos são vorazes) não mordessem a tez rósea de
seus donos: Quem sabe, um dia, com a alavanca da política, não seria
Renan Calheiros o dono único, coronel de porteira fechada, das terras
e do engenho onde seu pai, humilde, costumava ir buscar o dinheiro da
cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os
Omena, poderosos e perigosos.

Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o
Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca.

Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de
Fernando Collor, aproximaram-se dele e se aliaram, começou a ser
Parido o novo Renan.

Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo.
Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito.

Os seus colegas de Universidade diziam isso. Longe de ser um demérito,
essa sua espessa ignorância literária faz sobressair, ainda mais, o
seu talento de vencedor.

Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu
a você o combustível do ódio à pobreza e o ser pobre. E Renan
Calheiros decidiu que, se a sua política não serviria ao povo em nada,
a ele próprio serviria em tudo. Haveria de ser recebido em Palácios,
em mansões de milionários, em Congressos estrangeiros, como um
príncipe, e quando chegasse a esse ponto, todos os seus traumas
banhados no rio Mundaú, seriam rebatizados em Fausto e opulência; "Lá
terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo do Rei."

Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus
personagens: "A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível."
Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do
desonesto, ele advertia: "Suje-se, gordo! Quer sujar-se? Suje-se,
gordo!"

Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez.

Nesse mandato, nascia o Renan globalizado, gerente de resultados,
ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da
consciência. No seu caso, nada sobrou do naufrágio das ilusões de
moço!

Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou essa sua
campanha com US$ 1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao
seu motorista Milton, enquanto você esperava, bebericando, no antigo
Hotel Luxor, Av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho.

E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores
havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a
segui-lo nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a sua
intrepidez em ganhar a qualquer preço. O destemor do alpinista, que ou
chega ao topo da montanha - e é tudo seu, montanha e glória - ou
morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa
rindo, e cujos olhos indecifráveis Intimidam o adversário. E joga
tudo. E vence. No blefe.

Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem, na política
brasileira, a tem? Quem, neste Planalto, centro das grandes
picaretagens nacionais, atende no seu comportamento a razões e
objetivos de interesse público? ACM, que, na iminência de ser cassado,
escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel
de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem-cerimônia
com que cultiva corruptos?

José Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e,
agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu pai-velho,
passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem?

Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O
presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e
hoje hospeda no seu Ministério um office boy do próprio Brizola?

Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e
dobrou o Supremo Tribunal Federal?

No velho dizer dos canalhas, todos fazem isso, mentem, roubam, traem.
Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com
fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta pública e
privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasímodos morais
para blindá-lo.

E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra - Siba -
é o camareiro de seu salvo-conduto para a impunidade, e fará de tudo
para que a sua bandeira - absolver Renan no Conselho de Ética -
consagre a sua carreira.

Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in
pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra bom de tarefa, olhem o
jeito sestroso com que ele defende o chefe... É mais realista que o
Rei. E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo,
previne: quero absolver Renan.

Que Corregedor!... Que Senado!...Vou reproduzir aqui o que você
declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua
assinatura:

1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil,

2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil,

3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil,

4) Casa na Barra de São Miguel de R$ 350 mil .



E SÓ.

Você não declarou nenhuma fazenda, nem uma cabeça de gado!!

Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na
realidade, mais de R$ 1 milhão, e sua casa na Barra de São Miguel,
comprada de um comerciante farmacêutico, vale mais de R$ 2.000.000. Só
aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$
5.000.000,00.

Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhões, como
comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranjas?
Que herança moral você deixa para seus descendentes?.

Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem
escrúpulos e que trai até a família. Tem certeza de que vale a pena?

Uma vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior
latifundiário de Murici. E você respondeu: "Não tenho uma só tarefa de
terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho." É verdade,
especialmente no verde das mesas de pôquer!

O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente
você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices. Mas olhe
no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o
desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento
desonesto e mentiroso. Hoje perguntado, o povo fecharia o Congresso.
Por causa de gente como você!

Por favor, divulguem pro Brasil inteiro pra ver se o congresso cria
vergonha na cara.

Os alagoanos agradecem.

Thereza Collor.




Os calhordas pululam!

SE LIGA BRASIL